Autoridades no Rio garantem que obras para Olimpíadas estão dentro do prazo

Agência Brasil                                                                                         24/03/15 13h28

 

 

As autoridades responsáveis pelas obras para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, garantem que tudo está dentro do prazo. Nesta terça-feira (24), a exatos 500 dias para o início dos Jogos Olímpicos, não faltam, no entanto, desafios para garantir o sucesso do evento, marcado para agosto: dezenas de obras inacabadas, instalações a serem feitas, equipamentos a serem adquiridos, Baía de Guanabara a ser limpa.

 

Em evento público no domingo (22), o prefeito do Rio, Eduardo Paes, chegou a propor aposta com um repórter que lhe perguntou se as obras estarão todas prontas a tempo. “Já falei 500 vezes que estará tudo pronto, você quer apostar? Quanto quer apostar?”, perguntou ele ao jornalista. “Para a desgraça de alguns, as obras para as Olimpíadas vão bem e de legado também”, garantiu o prefeito.

 

A matriz de responsabilidades dos jogos, documento que reúne os compromissos assumidos pelos governos federal, estadual e municipal para a organização e realização do evento, foi atualizada em janeiro. 

 

As mais de 660 disputas esportivas, previstas para os 30 dias de jogos, vão ocorrer em mais de 30 instalações nas quatro regiões definidas pelos organizadores. A região do Maracanã engloba o estádio, o Sambódromo e o Engenhão. A de Copacabana inclui a Marina da Glória e a Lagoa Rodrigo de Freitas, que receberão provas como remo, vela e canoagem. As regiões da Barra e de Deodoro são as que concentram o maior número de obras.

 

A obra mais avançada é a Vila Olímpica e Paralímpica, na Barra da Tijuca, zona oeste, onde ficarão os atletas e que está com 75% das obras concluídas, segundo o Comitê Rio 2016. Com capacidade para hospedar até 18 mil pessoas em uma área 475 mil metros quadrados, o complexo residencial tem 31 prédios de 17 andares, com 3.604 apartamentos e 10.160 quartos. A conclusão da obra está prevista para o fim do ano. Só então serão construídas as estruturas temporárias, como policlínica, refeitório com capacidade para 5 mil pessoas e uma academia.

 

No Parque Olímpico, também na Barra, com área de 1,18 milhão de metros quadrados, 83% dos trabalhos nas redes subterrâneas do parque estão concluídos, segundo a Empresa Olímpica Municipal, responsável pelas obras. Estão em andamento a pavimentação dos estacionamentos, dos terraços para espectadores, do deque da área de convivência, as passarelas de ligação da Vila Olímpica com a Arena Carioca 1 e o Centro Aquático e a recuperação das margens da lagoa. São de parceria público-privada as arenas Cariocas 1, 2, e 3, o Centro Principal de Mídia, o Centro Internacional de Transmissão, o hotel e a infraestrutura da Vila dos Atletas. No local, ocorrerão disputas de 16 modalidades olímpicas e nove paralímpicas. O estádio aquático, centro de tênis, velódromo e a Arena do Futuro, que receberá jogos de handebol e golbol, têm aporte da União. Há instalações no interior do parque com previsão de entrega no segundo, terceiro e quarto trimestres e até no segundo trimestre de 2016, como o hotel.

 

Na região de Deodoro, zona oeste, vários equipamentos estão em fase de construção, como o estádio de Canoagem Slalom, a pista de Mountain Bike e o centro olímpico de ciclismo BMX. A maioria das obras nessa região tem previsão de conclusão para o primeiro e o segundo trimestre de 2016. Em Deodoro todos os recursos são do governo federal.

 

As maiores preocupações com o cronograma por parte do Comitê Olímpico Internacional, demonstradas em fevereiro, são as obras do campo de golfe, do velódromo e o local das provas de hispismo. De acordo com o cronograma da Empresa Olímpica Municipal, o velódromo e o centro de hipismo estarão prontos no quarto trimestre e o campo de golfe no segundo trimestre de 2016.

 

Um problema já assumido pelo governo do estado é o de que a baía não estará suficientemente limpa para as competições previstas para ocorrer no local, apesar do compromisso firmado em 2009 com o Comitê Olímpico Internacional.

 

As obras na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio, palco das provas de remo e canoagem, começaram neste mês. O trabalho deve durar três meses. As obras serão financiadas pelo governo do estado e vão custar cerca de R$ 14 milhões. O Comitê Rio 2016 fornecerá os equipamentos para a instalação das raias, que serão doadas ao estado após o evento. O novo sistema será avaliado no evento-teste de remo, marcado para agosto deste ano.

 

Os eventos-teste começam em julho. Até maio de 2016 serão feitas 44 competições que devem reunir mais de 7.800 atletas na cidade. Os eventos-teste de alguns esportes, como ginástica e triatlo, serão classificatórios para os Jogos. Alguns, como os de badminton, tiro esportivo e atletismo, servirão para que os atletas possam somar pontos ou atingir marcas.

 

O secretário municipal da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho, explicou que a cooperação da sociedade civil será fundamental para garantir a mobilidade na cidade durante os jogos e que essa cooperação deve começar nos eventos-teste. “A preocupação é permanente. Essa não é uma operação apenas da prefeitura do Rio, precisamos da parceria da população e que a imprensa ajude a comunicar as medidas que serão adotadas”, explicou, ao mencionar a mudança do calendário escolar. as restrições de vias durante o evento, como mudanças que precisam ser informadas aos cidadãos.

 

Durante os 30 dias de evento, a cidade vai receber delegações de 204 países, com 15 mil atletas.