Veredicto do julgamento de Oscar Pistorius é adiado

Agência Lusa 11.09.2014 - 09h41 | Atualizado em 11.09.2014 - 12h07

 

A leitura do veredicto do julgamento do atleta paralímpico sul-africano Oscar Pistorius, que matou a tiro a sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, em 14 de fevereiro de 2013, foi suspensa hoje (11) até sexta-feira.

 

A juíza Thokozile Masipa que iniciou hoje a leitura do veredicto, um documento com mais de 100 páginas, anunciou a suspensão da leitura até sexta-feira pouco depois de uma interrupção para almoço.

 

Durante a leitura da decisão judicial, que analisou em detalhe a argumentação da acusação e da defesa, Thokozile Masipa tinha já considerado que o campeão paraolímpico não é culpado do assassínio premeditado de Reeva Steenkamp, afastando a mais grave das acusações contra Pistorius.

 

Oscar Pistorius, de 27 anos, acusado de matar a sua namorada de 29 anos às primeiras horas do dia 14 de fevereiro de 2013 começou a ser julgado no passado dia 03 de março no Tribunal Superior de Pretoria.

 

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Na primeira sessão do julgamento, Pistorius declarou-se inocente, embora as duas partes, acusação e defesa, aceitassem que o atleta tinha matado a tiro a namorada, através da porta da casa de banho da sua habitação em Pretoria.

 

A acusação defendeu que o atleta sul-africano matou a modelo de forma premeditada, depois de uma discussão, enquanto a defesa sustentou que Pistorius disparou sobre o que pensava ser um intruso e por se sentir em perigo.

 

O procurador Gerrie Nel pediu que o atleta fosse condenado por homicídio premeditado, pelo qual arriscava uma pena de 25 anos de prisão.

 

“O Estado não conseguiu provar além de qualquer dúvida razoável que o acusado é culpado de assassínio premeditado”, declarou hoje Thokozile Masipa, durante a leitura do veredicto.

 

Masipa considerou, no entanto, que Pistorius agiu “com plena consciência” quando empunhou uma arma para disparar sobre a sua vítima.

 

“(…) o tribunal considera que naquele momento o acusado era capaz de distinguir entre o bem e o mal e que podia agir de acordo com esta distinção”, declarou.

 

A juíza considerou ainda que Pistorius foi “uma péssima testemunha”, que se mostrou “evasivo”, mas também que o atleta acreditou erradamente que a sua vida estava ameaçada quando disparou.

 

O atleta sul-africano tornou-se, em 2012, no primeiro corredor com as duas pernas amputadas a disputar uns Jogos Olímpicos, tendo conseguido chegar às meias-finais da prova de 400 metros.

 

*Atualizada para incluir informações sobre o adiamento do veredicto do julgamento