PM controla incêndio em barracos desocupados por reintegração de posse

Agência Brasil                                                      11/06/15 10h22 

 

O incêndio nos barracos que passaram por reintegração de posse no Bairro do Limão, na zona norte da capital paulista, foi extinto por volta das 9h de hoje (11). O espaço próximo à Marginal Tietê tem 10 mil metros quadrados e era ocupado por famílias em 114 barracos há cerca de 5 meses.

 

 

A desocupação da área, na Rua Coronel Euclídes Machado, começou pacífica mas, por volta das 7h30 houve um incêndio que atingiu alguns dos barracos. A Polícia Militar (PM) informou que um adolescente de 17 anos, morador da ocupação, foi apreendido por atear fogo no local.

 

 

De acordo com o tenente-coronel da PM Carlos Henrique Martins Navarro, no momento da prisão desse adolescente um grupo de moradores se revoltou e tentou bloquear a Marginal Tietê, mas foram impedidos pelos policiais.

 

 

Moradores reclamaram da apreensão do jovem. “Prenderam o rapaz sem nem saber o porquê. Colocaram ele na viatura e não quiseram nem falar o que tinha acontecido para a mãe dele. A mãe dele está passando mal. Isso não acho justo porque nós estamos aqui querendo moradia. Não foi ele quem colocou fogo lá”, disse Milena Américo da Silva, estudante.

 

 

Segundo a PM, a área pertence à empresa Pantanal Empreendimentos e Participações que solicitou a desocupação à Justiça. A ordem da reintegração partiu da juíza Anna Paula de Oliveira Dala Déa Silveira, da 4ª Vara Cível, em maio. Moradores disseram que o local estava abandonado. “Esse lugar estava abandonado há mais de quatro anos. A gente só que queria uma moradia", lamenta Ivone dos Santos, cozinheira, de 55 anos.

 

 

Famílias também reclamaram de cordão de isolamento feito por policias na entrada da ocupação, impedindo os moradoresd de retirarem seus pertences. Segundo o tenente-coronel a medida foi tomada para a segurança de todos, em razão dos focos de incêndio e também porque o terreno é uma antiga usina de gás. “Não vamos deixar mais ninguém entrar, vamos retirar os pertences e levar até a porta”, afirmou.

 

 

Bianca Kevelin Anjos Assis, 21 anos, desempregada, conta que a comunidade se organizou, pagando contas de água e luz do local, incluindo as atrasadas, e fazendo reformas para o que o local servisse de moradia. Ela reclama, porém, do preconceito contra a população. “A mídia está falando que aqui era ponto de tráfico de drogas, mas não é verdade. Aqui tem trabalhadores, pais de família, idosos, crianças. A gente não é bandido, a gente só quer moradia. Aqui tem crianças deficientes, que não tem onde dormir hoje. Só queremos uma oportunidade de crescer na vida”.

 

 

Os moradores disseram que não foi oferecida ajuda e que a maioria dos moradores deve ir para a casa de parentes. Segundo a PM, o proprietário da área disponibilizou 10 caminhões de mudança, além de um depósito para guardar os pertences das famílias. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que não pode intervir na desocupação já que se trata de uma área particular. As famílias que ficaram desabrigadas podem procurar as redes de atendimento emergenciais da Prefeitura de São Paulo para a realização de cadastros nos programas habitacionais e aguardar o atendimento.