Morte de Jean Charles está impune há dez anos

Radioagência Nacional                                                           22/07/15 10h23 

 

Há dez anos, o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia britânica da Scotland Yard, em um trem do metrô de Stockwell, em Londres.

 

Em 22 de julho de 2005, o jovem de 27 anos foi confundido com um terrorista árabe e baleado pelas costas com oito tiros, sete deles na cabeça.

 

A morte de Jean Charles levou 30 horas para ser oficialmente comunicada pela divisão de inteligência da polícia londrina.

 

A família dele protesta na Justiça europeia porque até hoje nenhum policial envolvido foi indiciado ou punido pelo caso. Nem a identidade do atirador revelada.

 

A conclusão do inquérito público que investigou as circunstâncias dizia que a Scotland Yard não poderia ser responsabilizada criminalmente pelo incidente. A justificativa era de que a morte do jovem latino-americano, ocorreu em um momento crítico para a segurança de Londres.

 

A mãe de Jean Charles, a dona de casa Maria Otone de Menezes, diz que, os policiais erraram feio e foram incompetentes.

 

Em 2005, com a ajuda do governo brasileiro, os pais de Jean Charles foram para a Inglaterra e visitaram o local da morte e resolveram com rapidez os trâmites burocráticos, apesar da dificuldade financeira e da barreira do idioma.

 

No mesmo ano, a família foi indenizada pela Scotland Yard com 100 mil libras esterlinas, o equivalente a cerca de R$ 300 mil em valores da época.

 

Jean Charles era estudioso e trabalhador. De família simples, natural da zona rural de Gonzaga, cidade de menos de cinco mil habitantes no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.

 

A morte trágica do eletricista gerou filme, livro e um memorial espontâneo que foi criado por dois artistas locais e está instalado no local do crime.