Sem-teto ocupam hospital desativado em São Paulo

Agência Brasil                                                                 25/08/15 13h35 

 

Um grupo ligado à União dos Sem-Teto ocupou o antigo Hospital Pan-Americano, no Alto de Pinheiros, bairro nobre da zona oeste paulistana. Segundo o movimento, cerca de 200 famílias começaram a chegar ao imóvel na última sexta-feira (21). Elas deixaram um prédio ocupado na região da Sé (centro), onde uma ordem de despejo está prestes a ser cumprida.

 

Na manhã de hoje (25),  havia pouco movimento no imóvel. Todas as entradas foram bloqueadas com tapumes ou entulhos. Uma viatura da Polícia Militar faz ronda permanente na área, com a ordem de evitar a entrada de novos ocupantes ou de pessoas com móveis. “Eles explicaram que não podia chegar mais pessoas e não era para entrar com móveis”, contou uma das ocupantes, a cabeleireira Fernanda Oliveira, que conversou com a reportagem da Agência Brasil no portão do prédio. “A gente não quer entrar em conflito com eles”, disse Fernanda, ao acrescentar que o grupo estava cumprindo o acordo informal com a polícia.

 

Fernanda diz que o grupo faz revezamento para ir trabalhar, levar as crianças à escola e até para tomar banho na casa de parentes. “A gente faz revezamento para tudo. Conversa com os patrões. Quem é autônomo não vai trabalhar. E também nos revezamos para dormir. Uma parte dorme e a outra fica acordada”, contou a cabeleireira, que está na ocupação com o marido e a filha de 7 anos.

 

Preocupados principalmente com as crianças, os sem-teto fizeram um mutirão para limpar o prédio. Para o trabalho, compraram vassouras e produtos de limpeza. “Sobrou isso aqui, muito lixo” disse Fernanda, mostrando um monte de entulho que bloqueava o portão, ao responder sobre o que restou da antiga infraestrutura do prédio.

 

O Hospital Pan-Americano pertencia ao grupo Samcil, que entrou em liquidação judicial em 2011. O imóvel foi desapropriado pelo governo do estado de São Paulo para ser transformado em um hospital especializado em trauma.

 

A Agência Brasil entou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e aguarda posicionamento do órgão.