Cubatão - PREFEITURA APOIA O MEMORIAL DA VILA SOCÓ: "A MAIOR TRAGÉDIA NACIONAL NÃO SERÁ ESQUECIDA"

A Petrobrás justificou ausência a homenagem às vítimas e se colocou à disposição para participar dos próximos encontros
 
Ressaltando a importância de manter viva a memória da maior tragédia nacional que vitimou centenas de vítimas e que isso "não pode cair no esquecimento", o prefeito Ademário Oliveira garantiu apoio e todo empenho de seu governo à construção do Memorial da Vila Socó. Ele pretende ainda enviar um projeto de lei à Câmara criando a Semana da Vila Socó: "Será um legado à história de Cubatão".

Sua manifestação aconteceu no segundo dia de homenagens ao 34º aniversário do incêndio de Vila Socó, ocorrido na noite desta sexta-feira (23) nas dependências da UME João Ramalho, durante debate realizado após a palestra do engenheiro Élio Lopes, ex-gerente da Cetesb em Cubatão. Na oportunidade, foi apresentado ao público o pré-projeto do Memorial da Vila Socó, de Alan P. Santos, a ser construído em área da antiga vila, às margens da Via Anchieta.

Ao firmar o compromisso de "tirar do papel" o projeto de construção do Memorial da Vila Socó, Ademário se emocionou, recordando o dia da tragédia em companhia da tia e dos sete irmãos, recém chegados do Nordeste: "A gente vivia na roça. Ficamos assustados, parecia o fim do mundo". Ademário concordou que o número de vítimas do incêndio (oficialmente 93) deve ser apurado. "Toda luta é válida", disse, renovando o apoio de seu governo à iniciativa.

Entre vários depoimentos emocionados de sobreviventes, de familiares e de amigos que foram diretamente atingidos pela tragédia, a secretária municipal de Saúde, Andrea Pinheiro, também entende que o número de vítimas oficiais não corresponde à realidade e deu seu depoimento, visivelmente abalada ao lembrar da amiga Catarina que, depois do incêndio, não voltou para a sala de aula. "A história da Vila Socó passa pela nossa vida, pelos companheiros que não voltaram à escola".

OAB - A comissão de líderes da Vila São José que organiza as homenagens ao 34º ano da tragédia de Vila Socó pretende - com apoio da Ordem dos Advogados (OAB) de Cubatão - reabrir o processo do incêndio provocado pelo vazamento de mais de 700 mil litros de gasolina de um duto que passa sob a vila, bem como apresentar denúncia à Corte Internacional dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington (EUA).

O Ouvidor municipal, Dojival Vieira, foi indicado pelo presidente da OAB/Cubatão, André Izzi, coordenador da Comissão da Verdade no município, para monitorar a reabertura do processo da tragédia de Vila Socó.

Presenças - A mesa do debate sobre a palestra do engenheiro Élio Lopes -  que claramente responsabilizou a Petrobrás pela tragédia "por erro de operação e falta de manutenção" - foi formada ainda pelo secretário de Governo, Cesar Nascimento, e pelo presidente da Sociedade de Moradores da Vila São José, Edilson Silvino, além do prefeito, do ouvidor e da secretária de Saúde.

A Petrobras justificou ausência - através do gerente de Engenharia e Suporte Técnico-Operacional, Daniel Carlos Violatti - pela impossibilidade de adequar a agenda dos porta-vozes da companha, colocando-se à disposição para participar dos próximos encontros.

Texto: Gilson Miguel - MTb.: 19.181/SP