Moradores são retirados da Aldeia Imbuí em Niterói

Agência Brasil                                                                               23/06/15 12h02 

 

O Exército realiza hoje (23) a desocupação da centenária Aldeia Imbuí, em Niterói. Pelo menos, duas famílias da comunidade de pescadores terão de deixar o local, que fica no entorno do Forte do Imbuí, administrado pelos militares, cuja construção data do século 19. Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu ao Exército a reintegração de posse da área e estabeleceu multa diária para os moradores caso a decisão seja descumprida. A comunidade é formada por cerca de 30 famílias.

 

 

De acordo com os moradores, lanchas e caminhões estão sendo usados na desocupação, além de todas as vias de acesso à comunidade terem sido bloqueadas por homens do Exército. A passagem da imprensa e de pessoas de fora da comunidade não foi liberada. No local, a informação é que o Exército, posteriormente, cederá aos jornalistas as imagens da desocupação.

 

 

O advogado da comunidade, Paulo Boia, não entrou na área. Uma das principais lideranças locais, Ailton Nunes Navega, de 65 anos, alega que a desocupação está sendo feita antes do prazo dado judicialmente.  “Está um desespero total. Tem um caminhão do Exército na porta de duas casas”, disse Ailton Navega. Segundo ele, nenhuma das casas fica dentro do Forte, mas no entorno e não atrapalham nenhuma atividade militar. Ailton e os pais, com 89 e 97 anos, nasceram e vivem na comunidade. “Estamos aqui há mais de um século e meio, antes de o Exército chegar”, frisou.

 

 

A comunidade informa que os primeiros moradores da Aldeia Imbuí eram pescadores e “olheiros” da costa, já que, naquela época, o patrulhamento contra invasões era feito sem ajuda de radares. Eles reivindicam que uma parte dos moradores é ainda descendente de Flora Simas de Carvalho, que costurou o primeiro exemplar da bandeira nacional e fixou residência no local, antes do Forte do Imbuí ser erguido.

 

 

No processo judicial,  os militares argumentam que a área onde a comunidade está instalada é de Segurança Nacional. A praia é de uso exclusivo do Exército, assim como o hotel de trânsito. Nas áreas comuns, são promovidas atividades culturais e de lazer, como casamentos.

 

 

A Agência Brasil solicitou informações por e-mail ao Exército, à Polícia Federal e ao Ministério da Defesa sobre a desocupação da área e ainda não obteve resposta.